8 de março de 2018
Exposição da artista traz telas abstratas do começo do século 20 que ficaram guardadas em segredo por mais de 70 anos

Retrato da artista sueca de Hilma af Klint

Vou aproveitar que hoje é Dia da Mulher para falar de uma mulher incrível, pouco conhecida no Brasil ( e também no mundo) e que tive o prazer de descobrir na Pinacoteca de São Paulo: a artista sueca Hilma af Klint. Fui convidada com um grupo de blogueiros e jornalistas para fazer uma visita guiada à exposição “Hilma af Klint: Mundos Possíveis”, mostrada pela primeira vez na América Latina. A visita foi guiada pelo curador da Pinacoteca, Jochen Volz, juntamente com Daniel Birnbaum ( diretor do Moderna Museet, de Estocolmo) e por um sobrinho da própria Hilma.

Série “As Dez Maiores”

A artista foi pioneira do abstracionismo. Desenvolveu imagens abstratas antes dos célebres artistas do movimento, como Kandinsky e Mondrian. Hilma pintou 1400 telas. Claro que nem todas abstratas. Ingressou na Academia Real de Artes da Suécia, onde pintava paisagens e retratos tradicionais. Paralelamente, criava obras de arte gigantescas, como a série de telas “As Dez Maiores”, que ocupam paredes inteiras da Pinacoteca e estão sendo mostradas juntas em São Paulo. São consideradas uma das primeiras e maiores obras de arte abstrata no mundo ocidental.

Série “Átomos” de Hilma af Klint

A maior parte de sua obra foi mantida secreta. Era avançada e moderna demais para ser exposta por uma mulher no começo do século 20. A família preservou o acervo secreto e a primeira grande exposição de Hilma, que faleceu em 1944, foi feita só em 2013, em Estocolmo. Uma mostra menor havia sido feita em Los Angeles, em 1986.

Três Pinturas para Altar: série de Hilma

Na sua obra , Hilma traz elementos esotéricos, da espiritualidade, Rosa Cruz, teosofia, antrosofia e cristianismo. Além da Matemática e Botânica. Ela integrou um grupo artístico conhecido como “As cinco”, composto por mulheres que acreditavam ser conduzidas por espíritos elevados que desejavam se comunicar por meio de imagens. Quase uma pintura mediúnica! Mas com extrema qualidade e apuro técnico.

Hilma pintava telas seriadas, com referência à Infância, Adolescência e Velhice

A exposição de São Paulo inclui 130 obras. São apresentadas em séries, uma completamente diferente a outra.  Tem o “Caos Primordial”, a série “Átomo”, pinturas baseadas em observações botânicas  e “Três Pinturas para Altar”(três telas colocadas em uma sala escura como um templo).

A obra da artista é divida em fases. Entre os anos de 1882 e 1887, Hilma estudou principalmente desenho e pintura de retratos e paisagens. Em 1906, começou uma das suas séries mais emblemáticas: Os quadros para o templo, suas primeiras pinturas abstratas.

“As Dez Maiores”: tons de lilás, amarelo e azul sempre presentes nesta série

Em 1908, conheceu Rudolf Steiner (da Sociedade Teosófica e fundador da Antroposofia). Quando ele viu suas obras, em 1909, disse que o trabalho de Hilma não seria entendido nos próximos 50 anos. Ela decidiu, então, guardar as telas em segredo! Continuou pintando diversas séries abstratas.  Em 1925, abandonou definitivamente a pintura para se dedicar aos estudos teosóficos. Morreu em um acidente de carro em 1944.

Tela faz referência à religião

A exposição da Pinacoteca tem patrocínio do Bradesco e Ultra e fica em cartaz até 16 de julho. Neste Dia Internacional da Mulher, em vez de flores e parabéns, que tal convidar uma mulher , uma amiga, uma filha para conhecer a obra desta mulher extraordinária e tão pouco conhecida?

Hilma af Klint: Mundos Possíveis

Local: Pinacoteca de São Paulo (Praça da Luz, 02)

De quarta a segunda das 10 h às 17:30

Ingressos: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia)

Visita guiada à exposição

 

por

  • A volta da Loira do Banheiro
  • A panela é minha, uso como quiser…
  • A mulher deve ser a melhor amiga da mulher!
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