5 de janeiro de 2018
“As mulheres não devem ter medo da menopausa”, diz endocrinologista sobre esta importante fase feminina

 

Temida, nebulosa, problemática. Para muitas mulheres, a chegada da fase da menopausa vem recheada de dúvidas, medos, ansiedade e alguns quilinhos a mais.

Para tentar minimizar as dúvidas e oferecer alguns esclarecimentos importantes, conversei com o médico endocrinologista Paulo Mário F. de Oliveira, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista em menopausa.

O endocrinologista Paulo Mário de Oliveira explica os principais sintomas e cuidados da menopausa

As 10 dúvidas mais frequentes sobre o tema Menopausa:

Atitude40 – Dr. Paulo, o que é pré-menopausa e quais os sintomas?

Dr. Paulo Mário de Oliveira – Principalmente após os 40 anos de idade, a produção hormonal dos ovários começa a diminuir. Nesta fase começa, então, uma série de mudanças sutis no corpo da mulher. Uma das manifestações mais percebidas é a irregularidade do ciclo e mudança do fluxo da menstruação. São comuns, também, o início das modificações corporais como alteração na viscosidade dos cabelos, um aumento da concentração da gordura na região abdominal e um maior ressecamento de mucosas, incluindo a lubrificação vaginal. Infelizmente, por falta de conhecimento adequado, esta fase traz muita insatisfação e ansiedade. A mulher percebe que está mudando e, sem ter uma explicação plausível, acaba desestabilizada emocionalmente.

Atitude40 – O que é menopausa e quais os sintomas?

Dr. Paulo de Oliveira – O termo menopausa significa suspensão definitiva das menstruações. Na verdade, a parada das menstruações é o resultado da perda completa da função ovariana responsável pela produção dos hormônios femininos, estrogênios e progesterona. Sem estes hormônios, não há estímulo uterino e, assim, cessam os ciclos menstruais. O principal sintoma, sem a menor dúvida, é a suspensão das menstruações, entre os 45 e 50 anos de idade. Entretanto, a grande maioria das mulheres sente outras manifestações muito características e desconfortáveis. A mais conhecida e desagradável é o fogacho caracterizado por ondas de calor, rubor facial e ansiedade inexplicáveis, sem qualquer ligação com o ambiente onde a mulher se encontra. Além disso, experimentam nesta fase mudanças da pele, mucosas, cabelos, alteração da distribuição da gordura corporal, diminuição da libido e perda da massa magra.

Atitude40 – Em qual idade as mulheres brasileiras entram na menopausa?

Dr. Paulo – Na faixa entre os 45 e 55 anos.

Atitude40– Esta idade pode ser adiada com o uso de pílulas ou hormônios?

Dr. Paulo – A falência da função ovariana, isto é, a parada definitiva da produção de hormônios femininos pelos ovários, é inexorável. Acontece a todas as mulheres entre 45 e 50 anos, algumas um pouco mais cedo, outras um pouco mais tarde, contudo, estes exemplos são pontos fora da curva. Infelizmente, nada pode prolongar a função dos ovários. Considerando que a produção significativa de hormônios pelos ovários, em geral, tem início entre os 9 e 10 anos de idade e que é comum as mulheres viverem hoje pelo menos até os 90 anos, podemos concluir que ela estará privada destes hormônios por cerca da metade de sua existência. Não se sabe o porquê, a fisiologia dos ovários não acompanhou esta evolução na expectativa de vida das mulheres.

Atitude40– O que é reposição hormonal e quando deve ser feita?

Dr. Paulo – A reposição hormonal nada mais é que administrar a mulher os hormônios que os ovários pararam de produzir. Pode ser iniciada já numa fase pré-menopausa, quando os sintomas começam a surgir. Entretanto, em geral, a reposição se inicia quando os sintomas e o desconforto são mais evidentes, concomitantemente com a parada das menstruações regulares.

Atitude40– Há contraindicações à reposição hormonal? Quais?

Dr.Paulo – Sim, nem todas as mulheres podem realizar a reposição hormonal. As principais contraindicações se relacionam ao risco de câncer de mama e de trombose. Mulheres com história familiar importante de câncer de mama ou que os exames de imagem da mama mostrem alterações específicas que se relacionem com risco de desenvolver este tumor não devem usar. Assim também, mulheres que tem tendência a fazer coágulos sanguíneos devem evitar, pois, principalmente a reposição via oral (pílulas), aumenta o risco de trombose.

Atitude40– Reposição hormonal aumenta chances de ter câncer?

Dr. Paulo – Aumenta o risco de câncer de mama e câncer de endométrio. O endométrio é a parte interna do útero que responde ao estímulo hormonal e que periodicamente, conforme os níveis hormonais, descama e sangra, causando a chamada menstruação. Uma reposição hormonal malfeita pode levar ao câncer de endométrio. O risco de câncer de mama é relativo e pode acontecer principalmente com o uso da progesterona, um dos hormônios usados na reposição. Entretanto, quando bem indicada a reposição pode ser feita desde que se faça um controle sistemático a cada 6 a 12 meses. Nunca se deve fazer uma reposição sem uma orientação adequada.

Atitude40– Muitas mulheres na menopausa reclamam de ondas de calor, aumento de peso, ressecamento vaginal etc. A reposição hormonal minimiza ou cura estes problemas?

Dr.Paulo – A reposição hormonal traz de volta o equilíbrio metabólico da mulher. Acaba totalmente com os sintomas, mas deve ser feita precocemente, tão logo eles se instalem.

Atitude40– Como fica a vida sexual da mulher na menopausa? O que pode ser feito para melhorar a libido?

Dr.Paulo – O ressecamento de mucosas causa desconforto na relação e torna o sexo desagradável. A reposição hormonal, local ou sistêmica, via oral ou transdérmica, associado ao uso de lubrificantes, contorna satisfatoriamente esta situação. Porém é importante ressaltar que a principal desmotivação para o sexo observado pelas mulheres nesta fase da vida é a insatisfação com seu próprio corpo. Assim, manter a higidez física (relacionada à boa saúde) é fundamental. O exercício melhora a autoestima, ajuda e deixa a manter um peso adequado, a disposição física, a saúde cardiovascular, proporciona equilíbrio hormonal e aumenta os níveis de endorfina. Ser feliz na relação também é fundamental e depende sempre de criar um clima com o parceiro. Ele tem um papel imprescindível e precisa ser envolvido neste processo.

Atidude40 – As mulheres devem ter medo da menopausa?

Dr.Paulo – De forma nenhuma. O que elas precisam é entender com segurança tudo o que está se passando em seu organismo e ser bem orientadas na forma de contornar estas desagradáveis mudanças. Suas queixas e seus sintomas devem ser valorizadas pelo seu médico, seu companheiro, sua família. Os ovários não acompanharam a espetacular revolução da expectativa de vida do ser humano. Não obstante, as mulheres não merecem sofrer com isso e devem procurar felicidade em sua total plenitude em todas as fases da vida.

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