24 de abril de 2015
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Marquei de almoçar com uma 
amiga dos tempos de escola.

Ela foi logo avisando:
“Vou levar umas fotos de quando éramos estudantes…terríveis, medonhas. Só não vale me bater”. 

No meio do almoço, ela saca da bolsa duas fotos, de papel, como era praxe nos anos 80. Instagram nem sonhava em nascer…

Fiquei em choque.

Eu era uma mistura de pré-adolescente famélica – com uma cabeça enorme e braços fininhos – com cantor sertanejo. 

O corte de cabelo estilo pigmaleão da roça tinha muito volume no alto da cabeça, com franja cortada sobre o cocuruto, e muito volume nas laterais e na parte de trás. Ou seja, muuuito volume!

E o óculos? Hipsters iriam lutar até a morte para ter um exemplar daqueles…

Redondão, gigante, com armação de acrílico no tom…champanhe (?!). Lentes fundo de garrafa, para corrigir mais de 5 graus de miopia.

A roupa era um exemplo de falta de gosto e falta de dinheiro. Blusa de lã (argh) volumosa de gola e uma calça do tipo sei-lá.

As fotos ainda traziam minha amiga e a irmã, dois exemplos também exóticos de crianças/teenagers dos anos 80.

Passado o espanto inicial, e as risadas, veio a conclusão:

“Caramba. Como o tempo foi generoso com a gente”. 

Quem nunca olhou fotos antigas e se perguntou por que era tão feio? Tão esculachado? Mal-vestido? Com cabelos tão zuados e dentes tortos? Sobrancelhas de Frida? Buços lusitanos?


30 anos separam estas duas fotos…tempo generoso


Porque é o tempo que nos ensina tudo. 

Ele nos tira a juventude, mas garante a sabedoria.

Com ele, aprendemos a cuidar do cabelo, das roupas, usar a maquiagem certa, fazer a unha, tirar a sobrancelha e o buço, comer direito. 

São anos de revistas de moda, programas de beleza, sites de alimentação. Décadas de acertos e erros, de testes, de críticas e elogios. 

Mas o tempo não nos melhora só por fora.

Ficamos mais calmas, se éramos histéricas – ou mais ativas, se molengas.

Desenvolvemos o simancol.

Aprendemos a nos comportar nos mais variados eventos sociais – ou a deixar de lado o comportamento mocinha-virginal-dos-anos-80 quando necessário.

Tiramos satisfação.

Deixamos pra lá!

São décadas de conversas com a mãe, com as amigas, com as inimigas, com namorados, marido, filhos, vizinhos, gente invejosa, gente do bem, chefes, desconhecidos na rua, mendigos, milionários, surfistas, empresários, vagabundos, workaholics, padres, pais de santo, psicólogos, manicures…gente que ajuda a formar nossa opinião e a desconstruir opiniões que tínhamos um tempo atrás.

Por essa e outras, que só podemos comemorar o que os muitos anos nos trazem, além de rugas e cabelos brancos. Envelhecer sempre é melhor que a outra opção! Vade retro!

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Fotos: arquivo pessoal

Nos anos 80, as fotos eram assim: péssimo enquadramento, roupas esquisitas, óculos de aro champanhe




  

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