5 de dezembro de 2014
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….fica mais assustador!!!


O caso da modelo e apresentadora Andressa Urach, internada na UTI por complicações decorrentes da injeção de hidrogel nas pernas, me fez lembrar da época em que fazia reportagens sobre Saúde e Beleza na televisão e só se falava de uma coisa: bioplastia com PMMA (polimetil-metacrilato).



Fiz muitas matérias e entrevistas sobre o procedimento, que na época tinha virado febre – e servia para corrigir praticamente tudo: de nariz adunco a nádegas murchas. De mandíbula pequena a queixo pra dentro. Isso lá pelos idos de 2006, ou seja, há 8 anos.

As clínicas vendiam a bioplastia como água no deserto. Como milagrosa mesmo. Plástica sem corte. 

A primeira reportagem que fiz mostrava a correção de um nariz adunco e com a ponta caída. Como mágica, em menos de dez minutos, a modelo (que era assessora de imprensa da clínica) ganhou um nariz lindo, arrebitado e sem aquele osso na parte de cima. “Incrível”, pensei. Rápido, “barato” e eficaz. Lembro que apenas 1 mililitro de PMMA já era suficiente para consertar o nariz da moça.


Depois fiz outras matérias sobre o tema, várias correções e tudo parecia muito bacana. Até ir a uma clínica que fazia bioplastia de glúteo , ou seja, preenchiam a bunda com PMMA e deixavam as nádegas volumosas e arredondadas.

Primeiro que a quantidade de PMMA era gigantesca. Cerca de 250 ml. O médico dividia o bumbum em quatro áreas e começava a injetar, com uma espécie de “revólver” de vacina, algo do tipo. A modelo reclamava de dor, porque a agulha ia fundo no músculo e o médico pediu para não mostrarmos isso, apenas o resultado antes e depois. Achei estranho, porque o método era vendido como “indolor”. 

Pois bem, a onda de bioplastia passou na mídia e voltei a encontrar a assessora do nariz arrebitado pós-bioplastia seis meses depois, oferecendo outra pauta de beleza na redação. O nariz estava …ADUNCO!!!!!! Ou seja, o material foi absorvido (ou saiu do lugar) e o nariz voltou a ser como era antes. Estranho, porque diziam que o método era “definitivo” e que o produto não era absorvido pelo organismo.

A verdadeira verdade?


Mais uns meses e estava numa indústria de cosméticos, fazendo outra reportagem totalmente diferente, e comentando entre um cafezinho e outro que a onda de bioplastia começava a fazer as primeiras vítimas (a imprensa estava começando a noticiar casos de necrose, exagero e deformação) quando um químico que passava pela sala de café perguntou: 

– “Desculpa me intrometer, mas você disse que estão injetando PMMA nas pessoas?”

– “É isso mesmo”, respondi.

O químico insistiu:

-“Mas é PMMA, polimetil-metacrilato?”

– ´”ÉEEEEEE isso mesmo, polimetilmetacrilatoooo”, confirmei.

E o químico com cara de chocado:

-“Mas isso é legalizado?”

– “ÉEEEEEEE”, insisti. “Por que tanta surpresa?”, perguntei.

O químico puxou uma cadeira.

-“O que te lembra acrilato”?

– “Acrílico?”, respondi.

– “Exato. Pelo que você está falando, estão injetando plástico nas pessoas”, destacou o químico, que puxou uma folha de papel e desenhou uma molécula de PMMA. 


Eu, que não me lembrava patavina das aulas de química, fiz cara de paisagem e ele continuo a explicar algo do tipo: “A molécula tem várias ‘portas’ para reagir com outras moléculas no organismo, e tal…e é por isso que a pessoa vai injetar o produto no nariz e ter um câncer no dedão do pé”. Nunca vou esquecer a frase…

Fiquei chocada com aquilo e sempre que alguém dizia que ia fazer bioplastia eu contava a história do químico.

Morte em nome da beleza


Passada a onda de reportagens sobre bioplastia vieram as matérias sobre lipoaspiração, de todo tipo. Estava fazendo uma delas, com um cirurgião bem conceituado, e comentei a história da bioplastia para glúteos. O médico acabou contando que houve um caso de congresso médico sobre bioplastia em que a modelo usada para demonstração da técnica havia morrido após o procedimento porque acreditam que o líquido pode ter sido injetado erroneamente em uma artéria ou vaso. Fiquei chocada porque o caso sequer chegou a ser noticiado!
Pois bem: depois de 8 anos , com o caso da modelo Andressa Urach (que está se recuperando bem), o tema preenchimento voltou à mídia e continua fazendo vítimas, que se arriscam com métodos que ainda geram polêmica e dúvidas. 

Quer buscar um tratamento de beleza ou preenchimento? Pesquise, estude, pergunte, duvide, procure médicos renomados, desconfie, tenha cuidado…

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Fotos: Reprodução
   



 






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