29 de janeiro de 2013
Sem categoria
Capital argentina recebe uma “nova” categoria de turistas brasileiros: 
pessoas que, simplesmente, têm birra da cidade
La Boca

A cartilha básica de viajar ao exterior começa por Buenos Aires. Apesar de algumas críticas à capital portenha, a cidade continua sendo um ótimo destino para quem quer se iniciar na arte de desbravar países desconhecidos.

A crise econômica na Argentina já deixa suas marcas, feias, na cidade: pedintes, insegurança, abordagem ostensiva. Mas o charme da capital argentina continua lá, nos seus monumentos ricos, nos bairros com estilo francês, nas livrarias e cafeterias elegantes, no sotaque agradável de “che, che”, nos ótimos restaurantes.

Visitei algumas vezes Buenos Aires e sempre trago ótimas recordações de viagem. Não foi diferente nestas férias, apesar de me deparar com uma categoria – nova para mim – de turistas brasileiros que, simplesmente, têm birra da cidade.

Sabendo das notícias de assaltos no centro, me hospedei na Recoleta, um bairro mais nobre da capital argentina. No primeiro dia no hotel, relaxando na piscina depois de passear pela cidade, começou a ladainha: um brasileiro me aborda e começa a contar que foi assaltado no metrô. Segundo ele, foi seguido por um cara mal-encarado, mudou de lugar cinco vezes e depois percebeu que alguém tinha levado a carteira dele. Ah, a mulher também foi assaltada na ocasião – levaram o celular de dentro da bolsa.

Primeira pergunta foi: “Foi com arma”?

– “Não. Enganaram a gente”.

Primeiro pensamento: “Salames”.

O cara passou, então, a detonar a cidade, os argentinos, a falta de segurança, o metrô (chamou até de caverna) – só faltou falar mal da carne. Natural do Rio de Janeiro, disse que não via a hora de entrar no avião e voar para sua cidade-natal, para sair daquele horror de lugar.

Comentei que assaltos em metrô acontecem em várias cidades do mundo, como Paris, Madri e Londres, e que devemos estar atentos sempre às nossas coisas. Cortei o assunto e voltei para a tranquilidade das minhas férias.

Casa Rosada

Nos outros dias e passeios, pude encontrar alguns brasileiros que reclamavam bastante de Buenos Aires ou dos argentinos, sem motivos concretos. Por exemplo, no café da manhã do hotel, muito bom por sinal, reclamavam que o queijo não tinha sido reposto “imediatamente”. A atendente, educadíssima e sorridente, disse que já estavam fatiando para servir.

Na volta do show de tango, reclamavam, aos berros, com o motorista do ônibus, que estavam com calor e que o ar-condicionado não estava frio o suficiente. Talvez a suadeira excessiva fosse causada pela bebida à vontade e não pela temperatura de 20 graus da noite?

Muitos brasileiros sequer tiveram a educação e o bom-senso de seguir a regrinha básica de qualquer viagem: falar “Obrigado” na língua local. Os turistas brasileiros instituíram que o real forte justifica esquecer o “Gracias” em qualquer situação.

Ah, outra reclamação de brasileiros foi em relação ao trocadores de dinheiro. Ouvi a reclamação de que a abordagem é ostensiva para trocar real por pesos no centro de Buenos Aires. “Ficam falando câmbio, câmbio a cada 10 metros”. Óh, que horror!

Pois bem: fui ao centro, visitar as Galerias Pacíficos, e ouvi várias vezes a palavra “Câmbio”. Percebi que basta balançar a cabeça e dizer “No, GRACIAS”, que o “problema”acaba. Tipo o que acontece com a venda de ambulantes em  qualquer praia do Brasil…

Tomei Metrô várias vezes – para ir ao Zoológico, a Palermo; à feira de San Telmo, ao centro – e não me senti nem um pouco intimidada. Claro que levei a bolsa na frente do corpo e fiquei atenta, como em qualquer lugar do mundo.

Peguei ônibus, táxi; fui a bares e restaurantes; pedi informação, paguei contas, perguntei itinerário de ônibus, horário de show, preço de bilhete, de blusa, de perfume. Em nenhum momento eu ou minha família fomos hostilizados, muito pelo contrário.

Caminito 

Só pude concluir que existe, sim, uma categoria de turistas brasileiros que vai à Argentina para boicotar, falar mal, achar defeito, desqualificar gratuitamente.

Claro que existem problemas em Buenos Aires, como em qualquer destino do mundo, mas muitos brasileiros estão exagerando no tom das críticas.

Sempre acreditei que há pessoas que não nasceram para viajar, que não têm capacidade de se adaptar às diferenças dos lugares ou pessoas. Para estas, a solução é fácil: ficar em casa em não encher o saco de quem está curtindo!

No próximo post:  três descobertas em Buenos Aires, que ainda tem o dom de me surpreender

Fotos: Divulgação/Reprodução

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