12 de novembro de 2012
Sem categoria


Apesar da qualidade do espetáculo, cantora teve dificuldade para lotar o estádio do Morumbi

Sei que os fãs das duas odeiam, mas impossível não comparar Lady Gaga à Madonna.

Acompanhei o show da “Mamãe Monstro” no Estádio do Morumbi neste domingo e me surpreendi com a qualidade técnica da cantora e dos bailarinos e com a superprodução do espetáculo.

No palco, um grande castelo que se transformava com luzes e movimentos, cheio de escadas que colocavam a artista em vários níveis de altura.

A turnê Born This Way Ball de Gaga foi uma grata surpresa e um exercício de teletransporte, para levar os quarentões (minoria na plateia teen/jovem adulto) para um passado longínquo, dos idos de 1990.

Tudo estava lá: a cantora loura, os bailarinos negros, as simulações de sexo, figurinos sadomasoquistas, a bizarrice, música dançante, plateia conquistada.


A turnê Girlie Show, de Madonna, foi um marco divisor de águas no show-businnes brasileiro.

Nunca, antes, o público tinha sido brindado com um espetáculo pop daquela magnitude. Fãs enlouquecidos encararam semanas na fila, dormindo na rua, para entrar na frente e ficar perto da “Mãe” Madonna. 

Lady Gaga neste domingo mostrou que tem todos os predicados para pertencer à galeria de super divas pop, que ainda é comandada pela cinquentona Madonna.

Mas o que Gaga fez no palco eu já tinha visto em 1993, no mesmo Estádio do Morumbi. Ela mostrou o bumbum para o público diversas vezes, mas de calcinha fio-dental (Rita Lee, muito mais “roquenroll”, mostrou a bunda mesmoooo no palco há poucas semanas).

Esfregava o púbis e depois chamava Jesus Cristo. Foi parida de uma vagina gigante, simulando um parto no palco, com seus gritos e gemidos característicos. Entrou em um cavalo-robô e andou de moto no palco.

Alguns até defendem que Lady Gaga tem mais técnica, canta mais e até toca piano (fez isto no palco do Morumbi). Mas as diferenças ainda contam pontos a favor da veterana Madonna: na turnê Girlie Show, por exemplo, o público sabia TODAS as músicas. No de Lady Gaga, algumas! 

Quem tinha o CD Erotica, de Madonna (o do show), furava o bendito de tanto tocá-lo infinitas vezes. Nunca vou esquecer a estreia do clipe no Fantástico: na era pré-YouTube, era a chance de ver em primeira mão o que de mais moderno existia em termos de música mundial. Era assistir no Fantástico e ligar para os amigos, do telefone fixo, na sequência: “VOCÊ VIUUU?”

A coreografia de Vogue era dançada à exaustão nas festas mais animadas. Express Yourself foi o hino de “Vamos ser felizes até o dia amanhecer pra tomar a última na padaria”. Justify my Love uma ode à sacanagem pura e simples. Deeper and Deeper, mais sacanagem (ela até simulava sexo no palco). Holiday, pura celebração.

Lady Gaga é até mais simpática com o público: fala mais, conversa, puxa papo mesmo. De cinco em cinco minutos, mandava um “São Paulo eu te amo” ou “Brasil”, no melhor sotaque grringo! Apesar de tanta simpatia, teve problemas para lotar o estádio – foram 50 mil pessoas, para uma lotação de 65 mil.

Na semana, disseram até que os ingressos encalharam e viraram promoção em sites de compras coletivas.

Uma coisa é certa: cobrar R$ 750 por um ingresso na pista Vip faz parte do abuso tradicional das empresas que acreditam que os “trouxas tupiniquins” pagam mesmo.

Pois é, com o Brasil cada vez mais na rota dos grandes espetáculos, talvez o público comece a perceber que não é preciso pagar tanto, porque os shows abundam.

Nos anos 1990, 2000, era pegar ou largar. Agora, já dá pra escolher. E pagar preço abusivo é pra otário, não pra fã. Até nisso, o show da Lady Gaga foi bacana: serviu de alerta para os organizadores!  

Curta a página do Atitude 40 no Facebook: www.facebook.com/Atitude40

Fotos: Reprodução

por
Comente pelo facebook:

Deixe um comentário

Seja o Primeiro a Comentar!

avatar
wpDiscuz