31 de outubro de 2012
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Por que o Halloween nunca pegou de verdade no Brasil?

Quando eu era criança, nunca ouvi falar em Halloween!

A festa começou a ficar mais conhecida mesmo nas duas últimas décadas, com a popularização das escolas de inglês comemorando a data difundida nos Estados Unidos.

O máximo, na minha infância de bairro de periferia, era pegar um saquinho de doce de Cosme e Damião no dia 27 de setembro e sair feliz da vida, com meus Dadinhos, balas Sete Belo e doces-de-batata doce ou roxa.

Particularmente, não tenho nada contra o Halloween, mas acho que por alguns motivos o Dia das Bruxas (como é na real) não pega no Brasil.

4 Motivos para o Halloween não “acontecer” no Brasil

Sair fantasiado: o brasileiro adora sair fantasiado, mas no Carnaval! Experimenta tomar um ônibus ou metrô no Rio de Janeiro nos dias da Folia de Momo. Eu mesma, com coroa de princesa, fiz o trajeto Botafogo-Leblon ao lado de “Jesus Cristo”, “Darth Vader”, “Batman” (com capa de saco de lixo preto) e personagens não-identificados pela tosquice dos trajes. Tinha uma ou outra bruxa, mas a brasileira, vaidosa que só, não quer associar a fantasia à possibilidade de ser chamada de mocreia  no busão!

Tocar a campainha na casa de estranhos: no Brasil, esta coisa de sair à noite, ainda por cima, tocando a campainha na casa de estranhos é um passo para levar um tiro ou ser recebido a cassetadas. Acho pouco seguro e não deixo filho meu fazer tamanha sandice…Ainda mais com uma máscara ( lembra do item 1 “Sair Fantasiado”?). Quem vai abrir a porta de noite para um mascarado? Tô fora!

Pedir doce: pedintes já fazem parte do histórico e do cotidiano do País e nunca são bem-vistos. Basta parar o carro no farol e já vem alguém pedir dinheiro. Eu não costumo dar dinheiro na rua para criança porque muitas vezes tem um adulto na esquina esperando para recolher a féria do dia. Se quero ajudar, prefiro doar para uma instituição séria. Teve época que andava com umas bolachas, panetones e afins para doar no farol, mas faz tempo que não faço isso…

Decoração de abóbora: a mais famosa referência do Halloween é a abóbora oca, com orifícios cavados e aparência demoníaca, denominada Jack-o-Lantern. Experimenta procurar uma ábobora desta em Sâo Paulo ( nem estou falando de cidades menores)…Simplesmente difícil de achar e quando achamos, é cara. Com certeza, o brasileiro vai preferir dar um destino mais apropriado ao Jack: recheada de bobó de camarão ou carne-seca, fica uma delícia. E pode ser comida em qualquer dia do ano, inclusive no Halloween.

Por estas e outras, o Dia das Bruxas ainda está restrito aos colégios mais moderninhos, às escolas de inglês ou às baladinhas que aproveitam a data para botar música e vender bebida para jovens a fim de se divertir (acho que para isso não é necessário uma data especial).

Dia da Saci: acho cafona!

Não gosto também de quem acha que cultura se impõe por decreto. Em 2005, criaram o Dia do Saci, comemorado no dia 31 de outubro, para fazer frente ao Halloween. Num arroubo nacionalista, decidiram dar destaque ao nosso folclore tão pouco prestigiado – como se com uma canetada, a falta de orgulho de ser brasileiro fosse dissipada.

Nunca vi uma campanha publicitária com o Saci-Pererê como garoto-propaganda. Nunca entrei em um grande varejista e vi toucas vermelhas e cachimbos (?) para vender na sessão de fantasias, no lugar dos chapéus de bruxa, dentes de vampiro e tridentes de diabo.

Por essas e outras, fico ainda com os doces de Cosme e Damião, tradição genuinamente brasileira imposta pela fé e crendice da população e não  por decreto ou propaganda.

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Fotos: Reprodução

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