12 de julho de 2012
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1960, Dartford, Inglaterra. O tempo não passa na pequena cidade-dormitório a 25 km de Londres. Na plataforma da estação de trem, Mick aguarda o transporte, balançando a cabeça e cantarolando Johnny B.Goode, hit daquele guitarrista negro, cheio de ginga, americano…”Como é mesmo o nome dele?”, pensa…

– Chuck Berry, responde o rapaz magérrimo, que se aproxima com um cigarro quase apagado no canto esquerdo da boca.

Keith tem os olhos enormes e pretos, orelhas pontudas e um cabelo rebelde como ele…Usa chapéu (?), calça justa e colete de couro. Tem um ar meio assustado, mas, na verdade, está se divertindo , como sempre…

– Eu também adoro esta música e queria ser negro pra poder tocar como este maldito americano, Damn! Hahahaha, gargalha Keith.

Mick olha o rapaz e reconhece o antigo colega de escola, sempre rebelde e pouco ligado aos livros.

– O cara é foda, né? E o ritmo? Parece que está tocando para quem só quer mexer os quadris pra frente e pra trás, pra frente e pra trás, pra direita e pra esquerda… É um safado! Só deve pensar em sacanagem! Hahahahaha, diverte-se Mick.

– Você é o Mick, né? Estudamos juntos na Municipal, lembra?

Impossível não reconhecer o colega de escola, com aquela boca vermelha enorme e aquele rosto quase feminino. “Esse cara tem estilo e curte um som maneiro”, pensou Keith.

– Claro que me lembro. Keith, né? Vem cá, você também curte o safado do Chuck Berry?

– Claro!!! Tenha até um disco do cara lá em casa. Tento imitar o jeito dele tocar…”Tein, tein, tein, teinnnnn”, faz Keith com a boca, fingindo tocar uma air guitar. O cara é o pai do rock, bró!

– Eu tento cantar com aquela pegada de blues dos americanos, saca? Fico na frente do espelho cantando Johnny B. Goode e improvisando uma dança louca, cara, tipo possuído pelo diabo, saca? Hahahahaha, ri Mick, com aquela boca enorme e os dentes branquinhos, branquinhos.  

– Vou te falar que curto outro cara desta turma aí, o Muddy Waters, sabe? Keith pergunta. Olha a do cara, Águas Lamacentas, nome maneiríssimo!

– Opa. Feríssima. “Everybody knows I’m here. Well, I’m the hoochie coochie man”, canta Mick, fazendo voz mais grossa e gutural…

Os dois riem da imitação de Muddy Waters feita por Mick.

Keith acende outro cigarro e propõe:.

– Vem cá, tem um cara aí, meio metido a cabelinho de príncipe, que tá a fim de montar um grupo, uma banda, uma parada desta aí, sei lá. O nome dele é Brian e é um chegado meu, lá do meu bairro. Vi que você tem ritmo e um estilo legal de cantar. Se pans, aparece em casa  que eu te apresento para ele e a gente tira um som. Que acha?

– Demorô! Opa, olha meu trem vindo aí…Fechado semana que vem lá na tua casa, sei onde é…

50 anos depois, obrigada Chuck!

N.E.: Este é um diálogo fictício, mas deve ter sido assim…

Fotos: Reprodução
     

     

    

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