21 de maio de 2012
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Nunca tive o prazer de ir a um show de Tim Maia. Como qualquer pesssoa nascida no Brasil nos anos 70, me diverti pra valer ao som do “síndico” nas festinhas dos anos 90, quando ele foi citado na música de Jorge Ben (nem era Benjor), redescoberto pelo País e regravado por artistas pop.

Aos primeiros acordes de “Não quero dinheiro, eu só quero amar”, a turba ficava ensandecida e suava os litros de cerveja consumidos, estendendo os braços pra cima no refrão mais anti-capitalista da MPB : “Quando a gente ama, não pensa em dinheiro, só se quer amar, se quer amar”…Chegou a enjoar de tanto que tocou em TODAS as festas que frequentei!

Tim morreu em 98, aos 55 anos, doente e obeso mórbido, e as minhas festas nunca mais foram as mesmas. Hora de crescer e pensar em dinheiro, não só em amar…Dureza!

Pois não é que toda a alegria daqueles anos 90, por 3 horas, voltaram com força total na última sexta-feira. Consegui um par de convites para ver a peça Tim Maia – o Musical, e descobri que o “síndico” não morreu. Ou pelo menos, reencarnou no corpo (e voz) do ator Thiago Abravanel. Eu, que devo ter alguma mediunidade, só pode ser, me arrepiei inteira de ver “Tim Maia” em carne e osso ( mais carne, claro) no palco do teatro Procópio Ferreira, em São Paulo.

“Tim Maia” e “Elis Regina”: show de voz e interpretação dos atores

Não é à toa que a peça está lotada até meados de junho. O povo é muito cético e quer ver a “reencarnação” de Tim Maia, fenômeno espírita “comprovado” toda sexta, sábado e domingo, durante as três horas nada cansativas de espetáculo. Ver a peça é poder assistir àquele show de Tim Maia que nunca vi no passado. E com a certeza que ele vai comparecer!

Mas já que só tem mesmo ingresso pra final de junho, vai a dica: leia o livro do Nelson Motta “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia” antes de comprar seu ingresso. Fica mais fácil e divertido entender o roteiro. E justiça seja feita: além de Thiago Abravanel (que é neto de Silvio Santos e herdou o carisma do avô para cativar plateias), os outros atores-cantores são espetaculares. O rapaz que personifica Roberto Carlos é um achado! O que faz Erasmo Carlos, bem parecido. Todos cantam muito bem!

No centro, à esquerda, o ator que faz “Erasmo Carlos”; à direita, “Roberto Carlos”

Eu, no geral, não gosto de musicais. Pra ser ter uma ideia, saí no intervalo de  Cats, dizendo  que precisava buscar um documento (?) no carro para que o porteiro destrancasse a porta o teatro (por que trancar o público, meu Deus?).

Tim Maia – o Musical é diferente. Pra começar, é um espetáculo com músicas que todos nós conhecemos, com uma história que conhecemos e, o mais importante, uma história nossa, brasileira, com um personagem que nasceu pobre e negro – uma total identificação com a plateia brasileira.

Importar musicais, com histórias de gatos que cantam músicas americanas adaptadas para português;  fantasmas que rondam as óperas; ou militares que se apaixonam por gueixas pode até ser mais fácil, mas não é mais legal…
  
Que este espetáculo seja o pontapé inicial para termos outros musicais “made in Brazil”. Personagens não vão faltar…

PS: veja a entrevista que fiz com Thiago Abravanel para o Meio&Mensagem na estreia do espetáculo em São Paulo. Ele fala, justamente, sobre a escassez de musicais brasileiros.

Fotos: Divulgação

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