7 de maio de 2012
Sem categoria

Eu fico meses sem ir ao cinema. Por pura falta de tempo ou preguiça mesmo. Mas aí, me “baixa” uma pomba-gira da sétima arte e eu desembesto a ver tudo ao mesmo tempo, sem critério por gênero, estilo, diretor ou País de origem.

Nas duas últimas semanas vi três filmes no cinema completamente excludentes uns aos outros – sem NENHUM tipo de elo, relação ou contato. Mas gostaria de falar sobre eles, porque cada um mexeu comigo de uma maneira diferente.

Para mim, o único ponto de ligação entre os três é que todos tiveram a capacidade de resgatar um olhar adolescente que não podemos perder jamais.

1 – Assisti ao documentário “Raul: o Início, o Fim e o Meio”, do diretor Walter Carvalho. Nunca fui “super-fã” do Raul Seixas, mas sempre gostei de cantarolar os clássicos do nosso Elvis Tupiniquim (aliás, no filme, fica clara a devoção do baiano ao rei do rock). Seguindo o espírito “roquenrol” do filme, tive de sentar no chão do Cine Unibanco da Augusta, num sábado à noite – só faltou a cerveja na mão e o mullet no cabelo.

Nem lembrava da última vez que tinha feito isto (sentar no chão do cinema, não ter mullet – por favor me respeitem), mas lembro da primeira, vendo o filme Beth Balanço no Center Norte, em meados dos anos 80. Aos 13 anos é fácil aguentar duas horas de filme com o bumbum no chão. Aos 40 já pega aquela fisgada de lado… e a lombar foi para o espaço!

O filme? Bem, o filme é legal. Uma colagem de depoimentos sobre o artista, com destaque para Paulo Coelho, amigo de letras, loucuras e satanismo. Achei Pedro Bial um pouco desnecessário no contexto e as briguinhas das ex-mulheres (quatro das cinco ex-companheiras) meio arrastadas. Mas no geral, deu vontade de sair dali, tomar uma cerveja e cantar alto “Eu que não me sento
No trono de um apartamento/  Com a boca escancarada/ Cheia de dentes/ Esperando a morte chegaaaaaar…”

A galera aplaudiu durante o filme e vi um ou outro cantando baixinho um hit do cantor…coisas de fãs de Raulzito. Se saiu de cartaz, perdeu playboy! É esperar no canal Brasil, que aliás tem passado ótimos documentários.

Por que mexeu comigo? Porque “chupou” do meu inconsciente o fato de que eu fui ao último show de Raul Seixas em SP e nem me recordava. A lembrança me deu uma pontinha de orgulho, afinal, quem daquele cinema tinha visto Raulzito vivo em plena decadência? Talvez só eu!

As lembranças jorraram: eu era adolescente no show, em 1989, e Raul mal cantou três ou quatro músicas. Lembro que chegou a errar a letra e a plateia não estava muito feliz com a apresentação. Quem levava o show nas costas era Marcelo Nova. Como era adolescente e super desconectada de tudo, nem tinha noção do que estava presenciando: a derradeira apresentação em SP de Raul Seixas. Putz, que bom que fui ao cinema naquela sábado à noite, sentar no chão pra poder relembrar e reviver tudo isto…

2 – Na mesma semana me rendi ao blockbuster Os Vingadores (olha a falta de critério!).
Detesto quadrinhos (apedrejem-me, HQ-maníacos) e acho esta coisa de super-heróis meio babaquice, mas tenho de admitir que o filme é divertidíssimo. Pra resumir: são 4 super-herois lutando contra o irmão adotivo do Thor, um tal de Loki.

À primeira vista, é filme pra ver com meninos – seja marido, namorado ou filhos adolescentes -, comer pipoca e torcer para o Hulk quebrar geral. Aliás, o grande barato do filme é esperar o pacato Dr. Banner virar Hulk e, simplesmente, arrasar com os inimigos (e amigos, às vezes). Mas é inegável que o filme resgata, de novo, um lado adolescente da plateia (e meu), que acredita em superpoderes e no bem vencendo o mal. E para as moças de todas as idades vale pelo desfile de beldades masculinas, na melhor escalação de elenco para fazer suspirar corações desde Onze Homens e Um Segredo.

Olha a lista: o charmoso Robert Downey Jr tem as melhores tiradas como Homem de Ferro; Chris Evans faz um Capitão América meio bobão no começo, mas gatíssimo (na roupa justéssima) e patrioséssimo no final; Mark Ruffalo (adoro) arrasa como o quase tímido Dr. Banner – e ainda vira o Hulk; o Thor é o “deus loiro” Chris Hemsworth. Vale cada centavo do ingresso! 

3 –  Na semana passada, vi Pina, de Win Wenders. O filme não estava nos meus planos, mas acabei indo ao Vivo Open Air ( a maior tela de cinema do mundo, montada no Jóquei Clube de São Paulo) no dia da sua exibição. A fotografia é belíssima, embora o filme seja um pouco pesado. O documentário resgata a biografia da bailarina alemã Pina Bausch através de suas coreografias e depoimentos de integrantes da sua companhia de dança. 

Como toda “menina”, em algum momento da vida quis ser bailarina ou participar de um grupo de dança. Nunca tive jeito ou dinheiro para a coisa, mas tinha verdadeira inveja das minhas amigas e primas que faziam balé e usavam meia cor de rosa, coque no cabelo e tu-tu de tule. Fiquei pensando nisto durante boa parte do filme, totalmente alheia às coreografias angustiantes e bailarinas desesperadas e descabeladas da companhia. Se tem uma impressão que o filme deixou é que dançar pode ser algo bem doloroso e triste, às vezes…Agradeci ter escolhido o voleibol.

PS: Papai do Céu, prometo nunca mais ficar meses sem ir ao cinema. Assinado: Chabuca

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