9 de abril de 2012
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No último final de semana, São Paulo virou palco de um grande festival de música: o Lollapalooza. Muitos amigos e amigas foram, curtiram e dividiram a experiência nas redes sociais, conversas e telefonemas. Fotos com sorrisos, declarações apaixonadas de fãs, cansaço e felicidade. Tenho certeza que o negócio foi “duca” mesmo. E fiquei me perguntando porque não comprei um ingresso pra ver pelo menos o Jane’s Addiction , uma das minhas bandas preferidas nos anos 90.


Não precisei pensar muito pra descobrir: preguiça. Pura e simples preguiça! Tenho até vergonha de confessar isto, mas tenho preguiça de ir a estes megashows em estádios e arenas. Até vou, se me levam ou se ganho um convite. Mas os megashows saíram da minha lista de prioridades há algum tempo.

Já tive fase de ver vários, dos artistas mais pop aos mais pesadões. Vi os “obrigatórios” da minha geração: U2, Rolling Stones, David Bowie e Madonna. Os roqueiros das antigas, todas as bandas de rock nacional, os clássicos e os alternativos. Acendi isqueiro no show do Jimmy Page & Robert Plant, Pretenders, Supertramp, Sepultura, Eurythmics, Bon Jovi, The Cult, Rush. Me acabei de dançar com Legião Urbana (com Renato Russo vivo), Titãs, Paralamas, Barão Vermelho e até Engenheiros do Hawaí (!). Voltei de madrugada no Massive Attack, Leny Kravitz, Pet Shop Boys. Vi até o Prodigy e o Eminem! Nas últimas décadas, não economizei energia ou tempo para chegar cedo aos estádios e ficar até o último acorde de uma infinidade de artistas e estilos. 


Mas hoje tenho preguiça!


Um amigo confessou  que também não curte mais estes megaeventos e que prefere acompanhar as letras do Chico, tomando um uisquinho, sentado no ar-condicionado. Admito que ver João Gilberto no Auditório Ibirapuera, no mais absoluto silêncio e com todas as nuances da voz e violão do mestre, foi delicioso. E nem vou entrar no quesito Roberto Carlos…


Quando começo a falar disso, percebo que a timidez vai saindo de cena e outras pessoas da minha faixa etária também admitem ter deixado pra trás os megashows dos estádios em troca de conforto, comodidade e o direito de ter preguiça, vendo seus shows minimalistas sentadinhos na plateia ou em casa, desfrutando do home teather de última geração e tomando bons drinques.  


E tem outra coisa: nos anos 80 e 90, ter um artista internacional no Brasil era um ACONTECIMENTO! O País não estava na rota das grandes turnês e não vir um show de uma grande banda era correr o risco de NUNCA mais poder ver novamente.

Agora, com a crise nos mercados americano e europeu e a pirataria no mercado fonográfico, as grandes bandas botaram o pé na estrada e o Brasil , com seus ingressos de preços abusivos, entrou na mira dos empresários do show business mundial. Os grandes artistas vêm ao Brasil e voltam no ano seguinte (no máximo em dois anos). Aí, dá preguiça mesmo de ver e fico sempre pensando “Quem sabe no ano que vem…”


Bem, mesmo com esta “baianidade” toda de alma, descobri hoje que tinha ganho dois ingressos para o Lollapalloza deste final de semana. Só vi o email agora à tarde. Uma pena, pois teria ido relembrar os tempos em que preguiça era papo de “velho” de 40 anos!     

Fotos: Divulgação/www.lollapaloozabr.com

     

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