23 de março de 2012
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Ultimamente tenho percebido dois movimentos distintos: pessoas totalmente intolerantes e aquelas que acham que tudo se resolve com jeitinho, sem precisar nunca perder a calma.

Vamos por partes. A intolerância é a “doença” do século 21. E não estou falando daquele ódio gratuito contra minorias – negros, judeus, mendigos ou corintianos.

Estou me referindo mesmo é à falta de tolerância para aguardar qualquer coisa, fato ou pessoa. Tem gente que esmurra a mesa porque uma página da internet demora mais de cinco segundos para abrir; bufa se aguarda o pedido no fast food por mais do que dois minutos; começa a buzinar no exato momento em que o farol fica verde e o motorista da frente piscou o olho e cogitou engatar a primeira marcha para sair…

Falta de paciência é a palavra de ordem neste mundo conectado, em que deixar de ver o último viral é considerado sacrilégio – e não saber o que é o Kony é motivo de esquartejamento digital no Facebook.

Mas, pela lei da ação e reação, tem uma turminha que acha, cada vez mais, que a política do “deixa disso” é sempre melhor.

Alguém te desrespeitou ou fez pouco caso? “Ah, com jeitinho tudo se arruma”, mesmo tendo de engolir o maior sapo-boi geneticamente modificado da sua vida.

Discutir porque foi maltratado sem motivo aparente ou reclamar seus direitos na loja ou supermercado? “Hum, pra quê arrumar briga. Relax, isso ainda vai te dar uma úlcera”.

Na minha opnião, nem tanto ao céu, nem tanto á terra. Nos últimos anos, principalmente depois que tive filho, passei a ser mais tolerante (ou pelo menos tento). Quem me conhece autalmente e estiver fazendo “Ahn-han” com a cabeça, é porque não me viu aos 20 anos. Não tinha paciência pra nada e pra ninguém.

Mas também detesto engolir sapo! Odeio falta de respeito comigo ou descaso. Reclamo, brigo mesmo!

Um exemplo? Quarta-feira, fui cobrir o evento Risadaria, que acompanho desde a primeira edição, com muito gosto, porque acho que fazer humor é sempre melhor do que fazer guerra. Mas, simplesmente, minha equipe de TV foi bastante maltratada pela assessoria do evento, ou melhor, pelo coordenador da assessoria que simplesmente estava ali para dificultar e não para facilitar o trabalho da imprensa.

O rapaz, de cara, não foi com a MINHA cara. Proibiu nosso acesso ao teatro para gravarmos trechos dos shows (teríamos de escolher apenas UMA apresentação. “Só uma, viu?”), algo inadimissível pra quem entende um pouquinho de TV. Aliás, se não queria que gravássemos parte das apresentações, deveria ter fornecido um DVD com imagens, previamente…

O mesmo moço virou as costas enquanto eu falava com ele e se recusou a me dar o release do evento, falando sempre com bastante arrogância e cara de saco-cheio; dando a entender que ele estava fazendo um “favor” de nos deixar mostrar o evento que ele estava divulgando (!?). Não deveria ser justamente o oposto? Facilitar nosso trabalho para mostrarmos o evento que ele estava divulgando?

Num caso como este, eu deveria ser tolerante ou discutir com o assessor? Juro que tentei ser bastante tolerante com a falta de jeito no trato com a imprensa, mas depois que o rapaz me deixou falando sozinha para atender um programa de fofocas ( nada contra as fofocas, tá?) fiquei brava. A turma do “deixa-disso” não me apoiou, dizendo que o melhor sempre é ir com jeitnho. Mas, em um caso deste, quem não teve “jeitinho” foi o assessor, né não?

No final, fizemos a matéria de TV, que ficou bem bacana, aliás. Mas ao sair do evento de humor, não estava nem um pouco a fim de sorrir por causa das dificuldades que tive com o assessor de imprensa e da discussão pra poder trabalhar.

Firmeza não é intolerância e como dizia meu pai: “Quanto mais você abaixa a cabeça, mais aparece a bunda”.  Reclamar à toa não dá, mas engolir sapo é pra jiboia…

Pois é, quem engole sapo, um dia cospe marimbondos!

                 

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