6 de fevereiro de 2012
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Em apenas quatro meses, meus amigos e eu conseguimos dar vida a um sonho: criar um bloco de Carnaval em São Paulo. O que nasceu como uma ideia em uma festa de aniversário, ganhou corpo e alma no sábado passado, quando conseguimos reunir no bar do Bigode, na Rua Simão Álvares, em Pinheiros, mais de uma centena de foliões, de todas as idades, dispostos a dançar e cantar marchinhas antigas. O clima, totalmente família, teve mães, avós, netos, filhos, genros, cunhados, irmãos, bebê, pets, amigos. Todos felizes!

Uma Towner antiga, um microfone e alguns CDs foram suficientes para fazer a festa de paulistanos acostumados a ver apenas pela TV a alegria de cariocas, recifenses e baianos em suas festas de rua. O bloco do Paralelepípedo, que ganhou este nome por desfilar apenas nas vias com este calçamento nas proximidades de Simão Álvares, foi sucesso de crítica e público, aprovado por 99% das pessoas da região, que dançaram e acenaram das janelas para os alegres foliões na tarde de sábado.

Senhoras felizes acenam das janelas para o bloco que passa…

Apenas 1% dos vizinhos tentou minar a alegria da trupe chamando a polícia. Quando a viatura chegou, 3 e meia da tarde ( isso mesmo, 15:30 hs), a policial, muito educada e gentil, ainda falou ; “Que pena que alguns vizinhos não apreciem esta marchinha tão bonita”. Como ninguém se apresentou para dar queixa, continuamos a festa. A vaia permaneceu guardada para o reclamante…Vaia, pelo que consta, não é crime…

Encontro de gerações: sem idade pra ser feliz

Uma hora depois, foi a vez de uma senhora se aproximar do carro de som e pedir para acabar com a música. A alegação? “Meu neto não consegue dormir”. Talvez porque fosse 4 e meia da tarde de um dia quente e o menino devesse estar na piscina, ou passeando com os pais e vendo os cachorros do bairro?

Jovens foliãs aproveitam o sábado de sol pra dançar as marchinhas de antigamente

Sete e meia foi a vez de nova viatura aparecer, alegando que um vizinho reclamou do barulho na rua. Teríamos apenas mais alguns minutos de som, por conta do horário do aluguel do carro, ou seja, antes do sol se pôr o som teria ido embora…O policial, novamente muito gentil, se foi porque logo o carro de som iria embora.  

“O carro de som já vai embora, antes do por do sol…”

O que me chamou a atenção é que no mesmo sábado um bloco dez vezes maior, com trio elétrico, saiu pelas ruas da Pompeia, sem nenhuma ocorrência policial causada por netos insones ou vizinhos rabugentos. O bloco do Paralelepípedo irá sair apenas um vez por ano, apenas uma tarde por ano, e merece o mesmo respeito… 

Por que os reclamantes que ligaram pra polícia no sábado não fazem o mesmo pra banir o barulho de máquinas que tampam os buracos nas ruas de paralelepípedo com piche, tirando a originalidade do pavimento tombado como patrimônio histórico da cidade? Já que gostam de reclamar, que reclamem por causas nobres…

Fica a sugestão. E sejam felizes, por favor!

PS: há ainda a opção de moradia em lugares sem festa de rua, como a Sibéria. 
          


Organizadores comemoram sucesso do bloco

“Um sonho sonhado sozinho é um sonho. Um sonho sonhado junto é realidade”. Raul Seixas
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